quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os Índios Tupiniquim no descobrimento do Brasil, Os Tupiniquim e a língua Tupi, os nativos, os primeiros índios do Brasil

Os Índios Tupiniquim no descobrimento do Brasil, Os Tupiniquim e a língua Tupi, os nativos, os primeiros índios do Brasil

Os Índios Tupiniquim no descobrimento do Brasil - os nativos, os primeiros índios do Brasil. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia cerca 2 a 5 milhões de índios, e a população indígena era maior do que toda população de Portugal.
 
Os Tupiniquins também são chamados de Topinaquis, Tupinaquis, Tupinanquins.
 
Originalmente falantes da língua Tupi litorânea, da família Tupi-Guarani, hoje os Tupiniquim usam apenas o português.
 
Os índios conhecidos como Tupiniquim, estavam situados em uma faixa de terra localizada entre Camamu, no estado da Bahia e o rio São Mateus (ou Cricaré), alcançando a Província do Espírito Santo, isso no século XVI.
 
Os Jesuítas consideravam-se os “soldados da religião” e procuravam divulgar no Brasil os ensinamentos da Igreja Católica. Sua missão era catequizar os índios e colonos, fazendo com que esses se convertessem ao catolicismo, para isso ensinavam a Doutrina Cristã.
 
Os índios afastavam-se do litoral, o trabalho de catequese exigia a entrada dos padres pelo interior, em suas viagens pelo interior os padres foram fundando aldeamentos para os índios estudarem a Doutrina Católica e os costumes europeus.
 
Em 1556 na região do rio Piraquê-Açu, onde esses índios também viviam, foi fundada a Aldeia Nova, pelo jesuíta Afonso Brás.
 
Em 1580 a Aldeia entra em decadência por alguns fatores, como surto de varíola e ataques de formigas que destruíram as plantações dos índios.
 
Reis Magos passa a ser o local de concentração dos índios e dos jesuítas. Esse local logo passa ser uma aldeia populosa, essa aldeia dá origem à Vila de Nova Almeida e a Aldeia Nova por sua vez dá origem à Vila de Santa Cruz.
 
Já em 1610, o Padre João Martins, superior jesuíta na aldeia dos Reis Mago, consegue para os índios uma sesmaria de seis léguas, a medição desse terreno só foi feita no ano de 1760, através do Termo de Concerto e Composição onde os índios de Nova Almeida e os moradores da Freguesia da Serra estabeleceram os limites dos domínios em que mantinham posse, onde por Sentença do Ministro, foi transformado em medição e demarcação amigável.
 
Na mesma sentença que demarcou o terreno e estabeleceu o acordo territorial, também estava mencionado que não existia senhorio algum dentro desses limites. Os limites da Sesmaria ficavam menores, por essa sentença, que foi confirmada em 1760 por meio de Alvará.
 
A partir do século XVII os tupiniquins foram colocados em aldeias de repartição onde eram catequizados e depois repartidos ou alugados para colonos, perdendo completamente suas características, a ponto de serem considerados um povo extinto.  
 
Até então, os jesuítas haviam posto em aldeias mais de 3.000 índios, em Nova Almeida.
 
Posteriormente, no século XVIII essa Vila é descrita pelo governador da Capitania do Espírito Santo, como composta majoritariamente por índios.
 
No século XIX, o naturalista Auguste de Saint-Hilaire, viaja pelo Espírito Santo e fica sabendo que os índios possuem um território doado pelo governo português, que não se pode transferir o domínio para outrem.
 
No século XIX eram encontrados pelos viajantes habitações isoladas ou pequenos povoados de índios civilizados na região entre o rio Doce e a Vila de Nova Almeida.
 
Em 1860 o Imperador D. Pedro II visita a região e mantém contato com uma índia Tupiniquim em Nova Almeida, bem como com outros índios de Santa Cruz e da foz do rio Sahy, não identificados no seu diário de viagem.
 
É afirmado pelos Tupiniquins que na sua passagem pela Aldeia o Imperador confirma a doação das terras.
 
Em meados do século XIX o modo de vida dos índios tidos como civilizados é retratada pelo pintor Auguste François Biard,
descreve ainda os fazendeiros que exploram a madeira da região para exportação utilizando o trabalho indígena para isso, anotou ainda a presença de famílias indígenas espalhadas pela floresta que faziam comercio de madeira e mantinham roças de subsistência.
 
Já em 1877 o Núcleo de Colonização de Santa Cruz, passa a contar com imigrantes italianos, nessa época contava com 55 índios naturais da Província.
 
Em 1910 é criado o Serviço de Proteção aos índios (SPI) que posteriormente transforma a região norte do Espírito Santo em um de seus pólos de atuação.
 
No século XX os Tupiniquins reconheciam mais de 20 localidades como suas ocupações, entre elas estavam aldeias constituídas por algumas casas vizinhas, lugares com poucas casas esparsas - a grande maioria - e locais onde havia se instalado apenas uma família. Foram identificadas pelos índios as localidades de Caieiras Velhas, Irajá, Pau-Brasil, Comboios - entre ocupações atuais -, e Amarelo, Olho d'Água, Guaxindiba, Porto da Lancha, Cantagalo, Araribá, Braço Morto, Areal, Sauê (ou Tombador), sertão e litoral do Gimuhúna, Piranema, Potiri, Sahy Pequeno, Batinga, Santa Joana e Córrego do Morcego - extintas.
 
Antes de se iniciar a exploração madeireira, a região onde os índios Tupiniquins viviam era de mata virgem, a comunicação entre as localidades era feita por meio de trilhas no meio da floresta.
 
A maioria das famílias indígenas eram encontradas dispersas pela mata. Duas localidades eram transformadas quase que em uma área só, por conta da forma como as famílias ocupavam o espaço e as trocas comerciais, pois a distância entre os núcleos passava a ser menor e isso fazia com que os laços comunitários que se manifestavam nos rituais religiosos, ou na realização de algumas formas de cooperação econômica (mutirão, adjutório) fossem fortalecidos. Essas famílias voltavam-se para produção direta e formavam uma unidade social.
 
O domínio e conhecimento de um território era utilizado como fator de identificação e troca pelos indígenas, dando sentido à relação entre os grupos domésticos.
 
As aldeias Tupiniquins pareciam ruas, em Caieiras Velhas destacava-se um pátio largo, onde uma pequena capela secular fechava a área. As casas construídas eram de pau-a-pique e sapê, mato as cercava.
 
Os Tupiniquins mudavam de casa e roçado com freqüência, os motivos mais comuns eram a realização de um casamento ou a busca por melhores condições de sobrevivência. Podiam fazer suas casas e roçados em qualquer lugar, porém existiam regras de acesso à terra, cercá-la ou detê-la com exclusividade era proibido.
 
Os casamentos eram realizados de preferência entre os moradores de localidades vizinhas.
 
Existia um sistema de posse comum nas aldeias Tupiniquins, onde os cultivos em extensões poderiam ser utilizados como bem conviesse a cada grupo familiar, além dos rios, matas, fontes que eram domínios de caráter comunal e possibilitavam a reprodução das famílias.
 
O sistema de posse comunal de terras bem como de outros domínios, somado à apropriação domestica e individual do produto do trabalho, contribuía para a sobrevivência dos Tupiniquins.
 
A pesca e a coleta nos manguezais exerciam um papel importante na economia domestica das localidades próximas ao rio Piraquê-Açu.
 
Em Santa Cruz, independente do comércio os Tupiniquins estabeleciam um sistema de produção econômica em que um caçava, outro pescava, e outro ainda fazia farinha, trocando os produtos entre si, numa divisão de trabalho informal, esse sistema era conhecido como o sistema de índio, os Tupiniquins utilizavam esse sistema para divulgar e pôr normas às praticas indígenas.
 
A partir dos anos 40 grandes empresas começam a destruir as matas com o objetivo de produzir carvão vegetal, alguns índios chegam a trabalhar nessas empresas, fazendo derrubada das árvores.
 
Nessa época os índios não se preocupavam em documentar suas posses e passaram a viver com posseiros, mas sem conflitos.
 
Posteriormente áreas tradicionais onde eram realizado o cultivo das aldeias Tupiniquim passaram a ser cercadas e reduzidas, para plantação de Eucalipto por empresas por exemplo.
 
A enorme redução da área de plantio e da fixação em determinados limites, impedindo a tradicional rotatividade das roças, mexeu com o modo de vida dos indígenas.
 
Hoje, a palavra Tupiniquim é usada também para designar o Brasil ou aquele que é nativo do Brasil.
 
©hjobrasil

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